quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Solanin

Solanin (ソラニン) é uma das obras mais apreciadas do incrível Inio Asano, possui apenas dois volumes, lançada no ano de 2005 pela editora Shogakugan no Japão, e pela JBC no Brasil e que  agregou indiscutivelmente de forma positiva a indústria dos mangás como um todo. Pessoalmente falando, é uma obra que eu guardo muito carinho desde a primeira vez que eu li, e acredito que o mais me chama a atenção nele é que: Cada vez que eu releio, mais eu me identifico. Pois bem, vamos aos detalhes e opiniões acerca do meu ponto de vista. 

O mangá conta a um pequeno pedaço da vida de Meiko, uma jovem aos seus 25 anos (?) que não sabe muito bem o que quer da vida, já graduada, ela se vê trabalhando em um escritório bem no caos que é a cidade de Tokyo. Vivendo com ela está seu namorado Taneda, que trabalha como designer pois acredita que a profissão aflora sua criatividade, já que ele não quer ficar na mesmice do cotidiano. Ambos tem filosofias de vida muito parecidas ( talvez por isso estão juntos rs). Além do casal principal, há também os amigos deles, alguns companheiros de banda de Taneda ( falarei mais sobre a banda) e outros amigos da época de faculdade.










Essa é a síntese do mangá, mas obviamente devo falar quais as melhores qualidades dele e o porquê, de mesmo tendo uma trama tão simples, ser um mangá tão especial; Quando se tem um enredo relativamente simples dessa forma, há dois fatores principais que devem ser desenvolvidos muito bem para funcionar: O contexto e os personagens.  A essência que circunda o mangá está presente na maioria dos jovens do século XXI, por isso a fácil identificação com o público, o diferencial está na maneira em como você aborda isso. As dúvidas de Meiko podem ser feitas por muitos de nós, eu particularmente me sentia a própria Meiko, de tão emergido que ficava enquanto lia; O mangá tem uma leitura bastante sútil, comparações e metáforas de fácil entendimento porém bastante perspicaz, o que torna tudo bem agradável e, ao mesmo tempo solene




Ficar preso nas idas e vindas do cotidiano é o medo de muitos, meu medo e o de Meiko, sentir falta do que ainda não viveu e saber que algo está incompleto. A "jornada do herói" dela começa quando ela decide sair desse barco, e simplesmente se demitir. É a partir dai que tudo começa a se desenvolver, quando ela começa a questionar sobre tudo que envolve a sua corrida vida urbana, e além disso, como ela pode coexistir com as pessoas em volta dela. Já o Taneda, como eu disse anteriormente, segue relativamente os mesmos pensamentos de Meiko, mas diferente dela, ele é conformado e de certa forma pessimista, apesar de tentar não atrapalhar os outros com sua negatividade. Ele sonha, assim como ela, em ser livre, seu maior instrumento para tal fim é a música. Por isso ele monta uma banda com seus amigos na faculdade e tenta ir atrás desse belo sonho juvenil. Mas o tempo passa, e agora quase não há mais tempos para reuniões. Acontece com muitos, todos tem sonhos, mas espaço e tempo são conceitos difíceis de conciliar nesse limbo da vida entre a vida adolescente e adulta.










Falando da banda do Taneda, não ache que os personagens secundários são meros figurantes, não são, eles são pessoas extremamente importantes para a obra mesmo que não sejam tão bem desenvolvidos quanto os protagonistas. Todos eles possuem uma carga emocional muito grande e são também fáceis de se identificar. A presença deles é fundamental no andamento da obra, cada um deles tem suas próprias vidas e seus próprios problemas, suas angústias, tristezas e raivas, assim como o casal principal. Essa é uma das qualidades que eu mais gosto em Solanin, essa pequena "teia de aranha" entre os personagens de forma espontanêa. E além da visão deste círculo, ainda há pela obra resquícios do pensamento de Inio Asano em personagens aleatórios ou situações diversas que esbarramos durante a leitura, e que mesmo que seja por algumas páginas, você consegue sentir claramente suas peculiaridades e consequentemente enriquecer na identidade da obra em geral. 









Apesar de ser um mangá de certa forma profundo e realista, ele também possui um humor bem característico do Inio Asano, ele sabe bem conciliar momentos sérios e cômicos, assim como a vida também é, não é mesmo? Apesar de uma rígida camada de tristezas e incertezas, há de vez em quando pequenas pinceladas de alegria genuína. 

                                                                                        


Sobre o traço do mangá, não tenho nem o que falar; Simplesmente umas das obras mais belas que se tem por ai, com uma técnica inovadora de misturar paisagens com rascunhos, o visual do mangá tem um caráter único que combina perfeitamente com o estilo de narrativa, assim como outros trabalhos do Asano.




                                         



Solanin é uma obra muito delicada, acredito que qualquer um que pare pra ler, mesmo que tenha uma vida bem diferente da de Meiko, vai no mínimo simpatizar com todo o universo.  Se você se identifica, prepare-se para enxergar-se nas palavras e devaneios dela, refletir sobre a sua vida e sobre suas decisões, e mesmo que você sinta uma sensação de melancolia ao decorrer do mangá, eu tenho certeza que ao terminá-lo seu coração estará um pouquinho mais aquecido. Este mangá não vai dar a resposta da sua vida, não vai te dar conselhos, não vai ouvir suas lamúrias e o vazio da sua vida ainda continuará. Mas pelo menos uma diferente perspectiva deste vazio será percebido por você, e quem sabe  até encontre conforto neste imenso limbo que é a jornada da vida. 





Enfim, espero que tenham gostado dessa análise, que eu sei que foi muito mais pessoal do que técnica, mas para falar a verdade acredito que este seja o grande intuíto do Blog. Além do mais, seria impossível abordar minha obra favorita sem nenhum sentimentalismo. Só Deus sabe quando será o próximo post, mas espero vê-los logo. Ah, e antes de ir, fiquem com esse grande cover da música "Solanin" da querida banda "Yonige". Abraços!









6 comentários:

  1. Interessante a analise Allanzinho, fiquei curioso sobre a obra, vou procurar e conferir.

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  2. Moin Allan,
    não vejo problemas em colocar o seu sentimento pessoal na análise. Uma análise puramente técnica muitas vezes não consegue entregar o real feeling da obra, por isso acredito que existem tantas outras excelentes que não tem o destaque merecido.
    Gostei da análise e certamente colocarei o mangá na minha lista de leitura.
    LG
    Klaus

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    1. muito obrigado Klaus, isso me motiva a escrever mais conteúdo no estilo

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  3. Muito legal Allan, parabéns pela análise! Eu prefiro esse tipo de análise que foca mais no lado sentimental que no técnico.

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