Olá meus queridos leitores, esses dias por algum motivo eu me peguei assistindo diversas aberturas e encerramentos de animes, o que é curioso porque fazia muito tempo que eu não parava para fazer isso, além disso, eu senti uma vontade súbita de escrever sobre algo no estilo, foi então que pensei em fazer breves comentários sobre minhas aberturas favoritas ou encerramentos favoritos. O post hoje é um pouco diferente, eu sei, mas sinto que essa é uma área que poderia ser mais valorizada entre o público que desfruta dos nossos queridos animes, eu não sei se farei disso uma série, talvez, fato é que me deu um pouco de vontade de escrever.
Sem mais delongas, por hoje eu decidi começar pelo que seria um dos meus encerramentos mais queridos, que de forma alguma eu não consigo não me arrepiar todas as vezes que a vejo, ela do nosso tão famoso e comentado anime Death Note, sendo mais preciso seu primeiro encerramento Alumina, da banda Nightmare.
A abertura ou encerramento de um anime não é em minha opinião meramente um recurso distrativo, mas na verdade um período de contemplação e preparação para uma obra que está a vir ( abertura ) ou que acabou de ir ( encerramento ), uma boa escolha de cenas, traços, animações, música é crucial para uma melhor imersão na obra e admiração do produto como um todo, que agrega consideravelmente o anime.
Alumina é a demonstração perfeita do que é um encerramento exemplar, ela é inteiramente composta por apenas cinco cores: Preto, cinza, vermelho, azul e branco e a maior parte dela é constituída de imagens estáticas com alterações de ângulos, com exceção do final onde há de fato uma dinâmica de movimentação, mas vamos por parte.
Ela se inicia com o personagem principal da obra, Raito Yagami e é com ele e somente ele que todo o encerramento gira em torno, o que nos remete ao contexto da obra onde um dos fatores que mais caem sobre o personagem é a solidão, por mais que ele tente negar a todo momento sua dependência a outras pessoas, nós espectadores sabemos como ele é afetado ao decorrer da obra; Todo o seu visual está tingido de preto e cinza, com exceção dos seus olhos que estão vermelhos.
Raito é um dos personagens mais interessantes já criados, se fosse para fazer uma "dissecação" dele eu precisaria me atentar a muitos detalhes que infelizmente não estou sujeito no momento, mas abordando de uma forma mais enxuta, nos deparamos com duas personalidades conscientemente em uma única pessoa. A primeira, uma pessoa educadada, serena, estudiosa, correta e a segunda uma pessoa violenta, fria, calculista e astuta. O vermelho em Raito simboliza todas as segundas características, que apesar de ser sua característica interior, eu não diria que é sua verdadeira natureza, mas como ressaltado, se eu fosse abordar isso a fundo precisaria de mais páginas e mais imaginação; Já a sua imagem social é aqui representado com o azul e o branco, duas cores pacíficas que transmitem tranquilidade.
Ele está olhando diretamente para nós a caneta em sua mão direita, seguido por nomes escritos no caderno de cores também vermelhas. Em sequência temos a troca de quadro, com alguns frames focando no nome Death Note ( Caderno da Morte ), em pessoas mortas e no Shinigami ( Deus da Morte ). Então nos deparamos com o Raito no topo de um edifício que aparenta ser uma escola, e perceba o céu em azul e branco, ou seja, estamos sendo informados de qual Raito está na cena e o que possívelmente ele está pensando, depois vemos ele deitado na cama com o caderno jogado de lado, e temos somente as cores preto e cinza, o que pode significar um conflito interno sobre suas açãoes tanto passadas quanto futuras, provavelmente uma auta indagação moral. Então o vemos sentado encarando a si mesmo, e seu reflexo se torna vermelho.
É aqui onde começa a mais bela cena desse encerramento: A tela é dividida horizontalmente em duas partes; a parte inferior a princípio está totalmente preta, na superior vemos Raito em uma espécie de uma praça sob um céu azul e cercados por pombas brancas, que todos nós sabemos o significado. E então temos uma abrupta troca onde a parte superior se torna preta e a inferior vira uma imagem refletida do que vimos anteriormente, com diferença de que agora o céu se tornou vermelho e as pombas foram substituidas por corvos que não param de se alocar.
É onde vem o clímax: "Itswari", "Osore", "Kyoshoku", "Urei", ou melhor, "Calúnia", "Temor", "Vazio" e "Aflição" é o que diz a música neste exato momento, "Eu não sou fraco a ponto de ser consumido por essa negatividade, eu sou um trapaceiro que conhece a solidão." A camêra dá um Zoom Out a partír da maça avermelhada na mão de Raito, o mesmo se aparece encostado no canteiro de uma árvore, o resto permanece cinza, preto e azul. Ele joga a maça para cima, ela não cai, a camêra continua seu movimento agora em rotatória e se distanciando, contorna o tronco da árvore, e de repente o céu se torna vermelho assim como o protagonista, e a camêra dá um Zoom In direto ao rosto de Raito sob um ângulo inferior, onde em um único quadro pode-se perceber: A árvore morta como se fosse o auge de um rigoroso inverno, a volta dos corvos sobre seus galhos, a figura demoníaca de Ryuk com a maça que Raito havia jogado anteriormente, e finamente, Raito Yagami, com o seu olhar mais frio possível, que sem franzir nenhuma sobrancelha consegue transparecer um olhar mais cruel que qualquer outro, seu rosto sombreado pelo preto tornando pela primeira vez clara o rosto do nosso personagem, ambicioso, destemido, orgulhoso, com a certeza de que nada é impossível e que todos são dependentes dele, e não o contrário, de que todos são meras marionetes, sentimentos são apenas problemas mundanos, para este rapaz, ele está além de qualquer concepção social; para finalmente então, com mais alguns cortes escuros se misturar com os últimos acordes da música dando fim ao nosso encerramento, nos deixando apreensivo para o próximo episódio.
E é isso, espero que tenha sido um texto divertido, e valorizem mais os encerramentos porque muitas vezes vale a pena esperar pra ver.
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